sábado, setembro 25, 2004

Don't you realize? Legalize !

A ausência é uma das melhores maneiras de levar a mente humana a pensar nos assuntos do quotidiano. E, tendo em conta aquilo que é mostrado diáriamente nas notícias, parece-me que este país pensa pouco em assuntos-tabú. Um exemplo? Born Diep. Assim se chamada um pequeno navio que, há umas semanas, esteve ancorado ao largo da costa portuguesa, mais específicamente ao largo da Figueira da Foz, sem nunca invadir, claro, as doze milhas de costa portuguesa, à qual o acesso não foi autorizado pelo governo português, particularmente o ministroda Defesa e dos Assuntos do Mar (mais coisa, menos coisa), Paulo Portas. E porque aconteceu? É simples: este barco partiu da Holanda, em Agosto, e pertence a uma associação conhecida a nível mundial denominada Women on Waves, uma associação que defende o direito ao aborto (o mesmo assunto sobre o qual fizeram um referendo em Portugal, há uns tempos, mas no qual houve uma adesão de 30%..).
Ou seja: este navio trazia consigo todas as condições para poder ser praticado este acto, a quem precisasse/quisesse fazê-lo, por motivos de várias ordens. Inclusive foram disponibilizadas várias linhas telefónicas e também apoio e contactos através da internet, para que se pudesse chegar a bom porto com as intenções das interessadas (passem a redundância). Mas eis que, ao chegar a este maravilhoso país à beira-mar plantado e com a inteligência guardada na algibeira, lhes foi barrada a entrada na costa portuguesa (parece conversa de discoteca, mas não o é: o Paulo Portas não tem perfil de porteiro do Kremlin..). Porquê? Simples: o aborto em Portugal, depois das seis semanas, é considerado ilegal, logo proíbido de ser praticado. E que acontece então, em geral? Bem, quem tem necessidade de o fazer, quem tem dinheiro para tal, desloca-se confortávelmente ao estrangeiro, hospedam-se em hóteis que, no mínimo, têm quatro estrelas (****) e depois do pequeno-almoço, deslocam-se ao fatídico local e terminam a vida de alguém que não o chegou a ser. E quem não pode? Curioso. Quem não tem dinheiro para o fazer, procura as alternativas locais e nacionais, como em anúncios de massa milanesa. Nem sempre o nacional é bom. Isto porque, como podem constatar nos local media, muitas são as vezes em que algo corre mal na improvisada mesa de operações e daí advêm consequências de todo prejudiciais para essa mulher e para a sua prol. P.ex: não poder ter mais filhos porque a distinta senhora que praticou a "operação" tinha conhecimentos de medicina tão grandes como o meu mecânico, e pensava que estava a mexer em bobines e módulos em vez do útero de uma mulher, na vida de um feto, de uma possível-pessoa. Isto entristece-me. Perdoem-me os durões. É então que a dita mulher fica com dois resultados em vez de um: perde o filho, possivelmente já tendo mudado de ideias em relação a essa vida, e por vezes perde a sua saúde (o exemplo referido é apenas uma das inúmeras hipoteses que há). Tudo isto porque, em Portugal, dado ser ilegal o aborto, é necessário recorrer a quem o faça à margem da lei e nem sempre com as melhores condições e conhecimentos. Logo: sujeitam-se porque é preciso.. porque não podem ter mais filhos.. Mas atenção: não estou a generalizar ! É certo que existem casos em que o aborto é resultado de mero apetite e capricho, mas também os há em que é estrictamente necessário. E é nesses casos que estas consequências doem mais. Há quem não tenha dinheiro para criar mais um filho; há quem não tenha inteligência para criar um filho; há quem não tenha alma para criar um filho; há grandes-filhos-da-puta quem nem sequer mereciam viver, quanto mais criar um filho (perdoem o palavreado, mas nada define melhor este tipo de "gente".) e há o contrário: quem pode ter vários filhos e dar boas condições a todos; há quem tenha paciência e educação e devoção para criar um filho; há quem seja bom pai e bom educador para um filho, mas que simplesmente não os quer e não precisa dele. E já dizia o ditado: corta-se o mal pela raíz.. Nesse caso, qual será então o cerne da questão? Simples: o aborto é proíbido e é feito na mesma. Todos o sabemos, praticamente todos negam sabê-lo e preferem fechar os olhos: é tabú - dizem, com cara assustada. Tabú ou sem bú, importa discutir isto e acabar com a insegurança que ronda os abortos em Portugal porque eles são feitos na mesma, quer queiram quer não. O problema está em serem bem feitos ou não, com condições médicas para tal dependentes, obviamente, da sua legalidade.

Em anexo, um excerto da referência a esta situação no site das Women on Waves:

Borndiep heads back home

"The MS Borndiep left for the Netherlands on in the morning of Thursday the 9th of September. Being out in international waters for more than two weeks and not being able to sail into Portuguese territorial waters was very disappointing for Women on Waves, but fortunately Women on Waves has found an alternative way to help women with the Misoprostol protocol and they were able to reopen the discussion on legal abortion in Portugal."

in http://www.womenonwaves.org/

Fórum para discussão sobre este tema: http://pub30.bravenet.com/forum/2569760274

Women on Waves

7 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Na minha opinião, a despenalização, só por si, já era um começo. A questão da interrupção voluntária da gravidez em si, é um assunto delicado, na medida em que, por um lado, é polémica,e por outro, não pode ser encarada com leviandade. Acho que uma mulher que opta por não ter um filho, porque não tem condições para o criar não pode ser considerada uma criminosa, contudo, fazer do aborto uma prática anticoncepcional, é sem dúvida criminoso. A meu ver, aqui está o busilis da questão: a consciência com que se lhe recorre.
Alirka

25 de setembro de 2004 às 19:12  
Anonymous Anónimo said...

1º eu sou contra o aborto...
2º não é por eu ser católica
3º f***-** kd é que caem na real??Existe operações, pílulas, persevativos.. de tudo um pouco..
Mas não! perferem simplesmente liquidar um ser que não tem meio de se proteger e nem sequer tem culpa de terem sido "criados" sem querer!pois.. eu sou mesmo contra..
só em casos extremos, em que a criança nasça "mutante" ( sem condições nenhumas de ser feliz ) pessoinhas que não têm dinheiro para comprar p seu pãozinho diariamente, ou afins, curiosamente têm para um aborto que vai de 10 contos ou mais (nunca menos)
Incrivel...
Como pessoas que matam são presas
pessoas que roubam são presas
pessoas que roubam para COMER são presas

e estes (não sei o que chamar)
são apenas doutores (que antes de receber o seu diploma Fazem o juramento dos Médicos em que diz que se deve prezar a vida humana, nunca matar...)

é muito melhor matar seres inocentes, que criar mais condições, melhores condições de vida

é muito melhor "deslocar-se confortávelmente ao estrangeiro, hospedarem-se em hóteis que, no mínimo, têm quatro estrelas (****)" ou "procurar as alternativas locais e nacionais, como em anúncios de massa milanesa. Nem sempre o nacional é bom." que para além de ficar prejudicada, poderá não ter mais filhos
e Depois vão querer indemizações e processam toda a gente...
Quando a culpa é de ambas partes..

Não matem os prisioneiros nas cadeiras eléctricas, se são assassinos, soltem.nos, pois milhares de pessoas matam milhões de biliões de crianças TODOS OS DIAS e não estão presas por ASSASSINÍO!!

pensem bem...
Estudo comprovado: Milhões de criancinhas morrem de fome, de doença, por aborto...
E o que nós fazemos?
Matamos ainda mais crianças, porque sai mais baratos que criar condições...

Black Rose

26 de setembro de 2004 às 16:42  
Anonymous Anónimo said...

hehe grande tema sérgio. isto dá pano para mangas.
eu sou a favor da despenalização do aborto. os motivos que levam a pessoa a fazê-lo penso que só são realmente importantes para ela, para a sua consciência, para os seus projectos de vida.
como é óbvio há pessoas que fazem abortos e que, segundo a minha opinião ou de outras pessoas, o fazem de forma leviana apenas porque não querem um filho agora e sim daqui a 1 ano. mas isso são questões pessoais que apesar de tudo não nos cabe a nós julgar e sim à própria e ao pai da criança (que também deve ter uma palavra a dizer).
pessoalmente eu não faria nenhum aborto. mas isso sou eu e não posso obrigar todas as mulheres a serem como eu.
é engraçado como as pessoas dizem ser contra a legalização mas depois quando as filhas engravidam, as sobrinhas ou as amigas há sempre alguém que sabe de uma "clínica" (provavelmente uma casa sem quaisquer condições de higiene ou de trabalho) onde se faz esse tipo de intervenções. ou se não conhecem, conhecem alguém que conhece... e segundo o que vejo nunca ninguém deixou de abortar por falta de espaço para o fazer. já as condições em que o fazem é outra estória.
este país é o país de hipocrisia. todos vêem mas ninguém sabe de nada. e assim vamos continuar enquanto as pessoas continuarem a agarrar-se a utopias com pouca aplicação prática.

fairy_morgaine
www.ogritodosilencio.weblog.com.pt

27 de setembro de 2004 às 12:16  
Anonymous Anónimo said...

Evitar o cenário triste e patético de vozezinhas pequeninas que ditam coisinhas desnecessárias.

Talvez um dia, politicos e sociedade civil sintam numa amiga ou numa parente os traumas duma interrupção de gravidez.
Talvez um dia, as vozezinhas pequeninas percebam a diferença entre interromper uma gravidez em Espanha sem ninguém nunca sonhar, e interrompe-la num talho ao lado onde não se paga muito, não se demora muito, e possivelmente doi pouco.
Estes talhos dão normalmente direito a hemorragias e restos de carne a sair do corpo. Costumam dar ainda direito a ambulancia para chegar, a exposição publica num hospital que tem médicos e enfermeiros dilatores, a respostas em tribunal por uma escolha PESSOAL, INTRANSMISSIVEL E PROFUNDAMNETE INTIMA.

Não deve haver alguma coisa mais triste do que uma mulher se expor a uma realidade destas.
Não acredito em nada mais doloroso também.

Posso partilhar convosco que dificilmente faria um aborto: tanto por razões religiosas como de consciencia...mas devo partilhar convosco também que a minha opinião não deve servir de nada.

Conta a necessidade rápida de uma nova lei ou de novo referendo que leve as pessoas a dizerem sim À possibilidade, de mulheres, em consciência, deixarem de ter de se submeter aos talhos e puderem, servir-se de hospitais para estes episodios.
Alguém disse aqui num post que os médicos servem a vida.
A demagogiazinha barata serve a resposta: os médicos servem a vida destas mães, quando em consciência, as impedem de o ser.

30 de setembro de 2004 às 15:36  
Anonymous Anónimo said...

Evitar o cenário triste e patético de vozezinhas pequeninas que ditam coisinhas desnecessárias.

Talvez um dia, politicos e sociedade civil sintam numa amiga ou numa parente os traumas duma interrupção de gravidez.
Talvez um dia, as vozezinhas pequeninas percebam a diferença entre interromper uma gravidez em Espanha sem ninguém nunca sonhar, e interrompe-la num talho ao lado onde não se paga muito, não se demora muito, e possivelmente doi pouco.
Estes talhos dão normalmente direito a hemorragias e restos de carne a sair do corpo. Costumam dar ainda direito a ambulancia para chegar, a exposição publica num hospital que tem médicos e enfermeiros dilatores, a respostas em tribunal por uma escolha PESSOAL, INTRANSMISSIVEL E PROFUNDAMNETE INTIMA.

Não deve haver alguma coisa mais triste do que uma mulher se expor a uma realidade destas.
Não acredito em nada mais doloroso também.

Posso partilhar convosco que dificilmente faria um aborto: tanto por razões religiosas como de consciencia...mas devo partilhar convosco também que a minha opinião não deve servir de nada.

Conta a necessidade rápida de uma nova lei ou de novo referendo que leve as pessoas a dizerem sim À possibilidade, de mulheres, em consciência, deixarem de ter de se submeter aos talhos e puderem, servir-se de hospitais para estes episodios.
Alguém disse aqui num post que os médicos servem a vida.
A demagogiazinha barata serve a resposta: os médicos servem a vida destas mães, quando em consciência, as impedem de o ser.

30 de setembro de 2004 às 15:36  
Anonymous Anónimo said...

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8 de fevereiro de 2010 às 12:00  
Anonymous Anónimo said...

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8 de fevereiro de 2010 às 18:44  

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